
Há algum tempo, nutria a vontade de conhecer as estórias dos comentados livros da autora Irlandesa Marian Keyes. Não era incomum vaguear pelas lojas de varejo, livrarias ou mesmo internet e me deparar com seus livros de capas coloridas e despojadas, que pareciam estampar o slogan: Leia-me, eu prometo ser divertido!
Talvez na esperança de encontrar algo com mais sustância intelectual ou, simplesmente, economizar alguns trocados, deixava de lado a ideia de me apropriar da graça e espontaneidade da tal autora. Entretanto, esses dias, eis que o livro cai em minhas mãos. Quero deixar bem claro que não o comprei, apenas peguei emprestado da minha irmã mais velha, que tem gostos bem mais extravagantes que os meus.
Comecei a ler o livro despretensiosamente, mas cheia de interesse. A primeira impressão não foi das melhores, mas nem por isso consegui largá-lo no canto do sofá, da cama ou sei lá por onde o estava lendo. Certamente por teimosia ou por detestar deixar “questões” inacabadas.
Pois então, de cara, a obra me pareceu demasiadamente despojada, preenchidas de palavras “chulas” e muito, muito, cheia de detalhes, ou melhor, digressões da autora, que, sem dúvida, deixou de lado todo o seu poder de síntese. E sabe o que é pior?! O livro é carregado de feminismo e de toda sorte de fraquezas e inseguranças que quase 99% das mulheres insistem em ter!
Mas vamos ao livro! (Devo ter pegado o jeito prolixo dela ser) Mesmo com essas falhas e com uma narrativa com dramas vulgares e em excesso. Sem contar o fato de a personagem principal ser uma mulher infantil, mimada, insegura e, por vezes, egoísta e fútil, o enredo parece ter um imã. Provavelmente, por se tratar de uma leitura leve, sem complexidade, que exige pouco ou quase nada do leitor.
A obra trata, basicamente, da vida de uma mulher de 29 anos, chamada Claire, que é abandonada pelo marido imediatamente após dar à luz a primeira filha do casal. Despedaçada, arrasada, infeliz, transtornada, ela resolve deixar sua vida confortável em Londres, para superar essa dor junto à família nada padrão dela – formada pela mãe, que mal sabe fazer um ovo; o pai, que está sempre a mediar os conflitos familiares; e as duas irmãs, a meiga, porém “drogadinha” Anna, e a egocêntrica e impertinente Helen –, em Dublin, Irlanda.
Depois de uns dois meses e de ter vivido muitos altos e baixos (muito mais baixos), regados a mau gênio, álcool e revoltas, Claire, a custo, vai se recuperando e se dando a oportunidade de cuidar de si e da filha recém-nascida, e de aproveitar a rotina familiar. É partir desse momento que a obra ganha novos contornos, e deixa de ser um livro de auto-piedade, para se tornar um romance “adolescente”. Novos personagens surgem e outros reaparecem, deixando Claire com a missão de fazer difíceis escolhas.
Apesar de ter pulados alguns parágrafos, impaciente com a falta de objetividade de Marian Keyes (se fosse contada por mim, essa estória teria meras 10 páginas), devo admitir que me rendo a essa técnica da autora! Graças a isto, ela dialoga, constantemente, com os leitores e nos insere na mente incrivelmente inventiva e instável de Claire, aproximando-nos ainda mais dos personagens.
Sem dúvidas, “Melancia” é um livro a ser indicado. Até mesmo para aquelas mais bem resolvidas. Um pouco de graça e drama alheio não faz mal a ninguém! E se eu tiver a sorte de ter em minhas mãos, por acaso do destino, outros dos seus livros – “Férias!” “Sushi”, “Casório?!” “Tem alguém aí?”, “É agora... ou Nunca” –, vou fazer um charminho, mas vou lê-los todos, total despretensiosamente.






