quinta-feira, 14 de abril de 2011

Violência Infantil

Pelo o direito de rir e ser feliz...

Até onde vai a violência e a perversidade do homem? Essa é a pergunta que faço a cada assombroso caso de violência relatado contra crianças. Aproveitando-se da fragilidade delas, adultos e adolescentes praticam atos covardes e monstruosos. Mais um desalento, mais uma revolta...

“Pai acusado de jogar filha de quarto anos do sexto andar”, “Criança de quatro anos violentada e estrangulada”, “Bebê é encontrado abandonado em lata de lixo”, “Mãe é suspeita de jogar filho no rio”, "Jovem invade escola e mata 12 adolescentes" e, pasmem, “Menina de dez meses é estuprada”. Essas são algumas das manchetes que somos expostos diariamente. Sem falar dos milhares de casos de crianças que são aliciadas e exploradas sexualmente, quando nem ao mesmo têm noção do que é sexo.

Onde estão a ética e os valores humanos? Ou já não somos tão humanos assim?! Onde está a punição devida aos agressores, que muitas vezes saem impunes? Faltam provas ou falta caráter?

O fato, é que a violência cresce em escala mundial. Estima-se que cerca de 133 a 275 milhões de crianças, em todo o mundo, testemunham violência doméstica anualmente. No Brasil a situação não é muito diferente. De acordo com pesquisas realizadas entre 1996 e 2007, foram notificados 159.754 casos de violência doméstica. A maioria, 65.669, é de negligência. A violência física vem em segundo lugar, com 49.481 casos, seguida de violência psicológica (26.590) e de violência sexual (17.482).

Dados do serviço “Disque 100”, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, indicam que, a cada dia, em média, 73 crianças e adolescentes sofrem algum tipo agressão no Brasil. Já registros do Ministério da Saúde mostram que uma criança é assassinada a cada dez horas no Brasil. Na maioria das vezes, as vítimas são mortas por sufocamento, armas brancas (facas, por exemplo) e estrangulamento. O medo de denunciar é uma das razões para esses números tão desoladores. Apenas 10% dos casos de abusos físicos e psicológicos contra as crianças são denunciados.

A situação torna-se ainda mais alarmante em relação às mulheres. Segundo dados do Dique-Denúncia, das 165.346 vítimas contabilizadas em 2009, 62% eram do sexo feminino e 38%, do sexo masculino. Entre as acusações de violência sexual, 59% das vítimas eram mulheres; nos casos de violência física e psicológica, 51% eram do sexo feminino. O único tipo de violência em que houve equilíbrio entre as vítimas foi a negligência (50% para cada sexo).

O que mais causa inconformismo é que a grande maioria desses casos ocorre no ambiente familiar, de baixo dos olhos dos pais. Resta saber o que vai ser feito pelas autoridades e pelos cidadãos comuns para mudar essa vergonhosa face do Brasil e do mundo. As crianças estão morrendo, estão perdendo o direito de brincar e rir, e nós estamos apenas de espectadores, limitando-nos a lamentar: “Que horror!”, “Que monstro!”, “Que tragédia!”.

Créditos: Imagem do site: http://conexaociencia.wordpress.com

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