segunda-feira, 11 de abril de 2011

Preocupação Sócio-ambiental ou meramente mercadológica?

Bem, parece que a moda da vez é ser politicamente correto, pensar no desenvolvimento sustentável, ter responsabilidade social ou coisas do gênero. Porém, o que era para ser preocupação sócio-ambiental passou a ser questão de escolha política ou econômica. Muitas das empresas que levantam bandeiras do tipo: “Não queremos meio ambiente, queremos todo”, são as primeiras que desmatam, poluem, queimam, sem maiores reservas. Pois é, parece que ser uma empresa “amiga do meio ambiente” virou um negócio rentável. Ainda mais quando se pode fazer tudo isso alegando estar preocupada com o futuro do planeta, da Amazônia, da água, da camada de ozônio e blá, blá, blá.

Mas não pensem que é fácil ser uma empresa com responsabilidade social. Porque afinal, tem que convencer, não é?! Para isso, milhões são investidos em propagandas, congressos, palestras, diálogos universitários, brindes, e por aí vai. Mas a situação não é tão má assim. Nem todas as empresas entraram nessa onda visando ao retorno. Há também aquelas que entraram por causa das pressões da sociedade e do mercado, já que, segundo pesquisa realizada pela Market Analysis, 65% dos brasileiros valorizam empresas socialmente responsáveis.

Parece irônico. Mas o fato é que as empresas que se dizem preocupadas com questões sócio-ambientais disparam no mercado. Mas não era para ser sem lucros, retornos ou coisa assim??? De acordo com o levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com 9.978 companhias do setor privado, no período de 2000 a 2004, houve um aumento de 10% do número de empresas que investem na responsabilidade social. O que equivale a aplicação de R$ 4,7 bilhões ou 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB).

É fato que algumas das empresas que mais vêm crescendo no mundo são as que participam de projetos ligados a questões ambientais ou colaboram, de alguma forma, com o desenvolvimento sustentável do planeta. O setor empresarial mais esclarecido, como um bom filho do capitalismo, já se deu conta de que o melhor mecanismo para gerar lucros está ligado a uma inovação de atitude, ou seja, a uma “preocupação” com o meio ambiente.
Assim, prêmios de incentivo, como: o Selo Empresa Amiga da Criança, criado para empresas que não utilizem mão-de-obra infantil; o ISO 14000, para dar destaque às ações ambientais da empresa; o SA8000, para assegurar que não existam ações anti-sociais, são disputadíssimos pelas ditas empresas com responsabilidade sócio-ambiental.

Como o que importa é estar na moda, tornou-se comum empresas se apresentarem como sendo companhias de “responsabilidade social”. Nos últimos anos, estas empresas que se apresentam como patrocinadoras da sociedade viram a responsabilidade sócio-ambiental como uma nova oportunidade, uma “nova onda”, capaz de agregar valor, respeito e confiança às suas marcas. É difícil não pensar que a maioria das empresas socialmente corretas são iguais as demais e que suas ações visam não à sustentabilidade do planeta, mas a servir a propósitos meramente estéticos e comerciais.

Uma prova dessa realidade está nos dados da reportagem de capa, da edição 839, da revista EXAME, onde 90% dos programas de responsabilidade social são geridos pelos departamentos de marketing das empresas. Esse número mostra que, aproveitando-se de falsas preocupações sociais ou ambientais, as empresas utilizam a “responsabilidade social” para promover sua imagem.

Claro que essa realidade não é igual para todas as empresas. Existem empresas que estão realmente comprometidas com o planeta, que buscam uma convivência equilibrada com o meio ambiente. Agora, resta saber qual delas se encaixa nesse perfil altruísta.

E, daqui a alguns anos, qual será a nova tendência??? Criar florestas naturais com animais produzidos em laboratórios ou reciclar animais para fazer bolsas para a primavera-verão?

Crédito: Imagem do blog: http://planetafuturomelhor.blogspot.com

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